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Em 1905, Henri Gautier,
lançou, na França um suplemento jornalístico:La
Semaine de Suzette, destinado às meninas dos
8 aos 14 anos.
Propunha-se recreativo, de educação
religiosa e inteligente:divertir, distrair, instruir
por meio de romances, folhetos, cartas, histórias
ilustradas, jogos, concursos, peças de teatro,
brincadeiras para dentro de casa e quintal, trabalhos
de costura, receitas de cozinha, mas tudo inculcando
civismo, moral e caridade.

La Semaine de Suzette cria bonecas como
Bleuette e personagens como Becassine.

Bleuette |

Becassie |
Em 11/10/1905 é lançado,
no Rio de Janeiro, um periódico inspirado no
La Semaine: O Tico Tico.
Seu fundador é o jornalista, e
deputado pelo Paraná, Luiz Bartolomeu de Souza
e Silva, o cabeça do grupo editorial que fundou
a revista O Malho e o jornal A Tribuna, ambos na cidade
do Rio de Janeiro.
Luiz Bartolomeu de Souza e Silva foi
pai de Hermínia Bartolomeu de Souza e Silva,
casada 1914, com Lindolfo Leopoldo Bockel Collor, o
1º Ministro de Trabalho do Brasil.
Exato:o fundador de O Tico Tico
era bisavô do Presidente Collor.
Ao contrário, do modelo francês,
destinado às meninas, o Tico Tico era destinado
aos meninos e passou a atingir um público adulto,
intelectual e sofisticado.
A revista brasileira, além das
histórias infanto-juvenis, oferecia correspondência
com fotos e desenhos dos leitores, enigmas, advinhas
e concursos. Nas seções Gaiola do Tico
Tico e Lições do Vovô trazia informações
científicas, cívicas, artísticas,
geográficas.
O Tico Tico reinou absoluto
até 1930 quando começamos a ser invadidos
pelos quadrinhos norte-americanos.
Esta invasão fazia parte de um
movimento mais abrangente:a política de domínio,
inclusive cultural, desde então desenvolvida
pelos grandes irmãos do norte, contra os países
latino-americanos.
O Tico Tico circula até
1957 e, a partir de 1960, somente circula como almanaque
ocasional, até que, em 1977, é fechado
.
O semanário chegou a atingir a tiragem de 100.000
exemplares.

A influência do Tico Tico, nos
jovens da época, é inconteste mas partilhada
com outras publicações:
O Tesouro da Juventude-enciclopédia
voltada para as crianças e editadas, em 1930,
por W.M.Jackson,com sede em São Paulo, era originalmente
inglesa.
A obra, para crianças, de Monteiro
Lobato, falecido 1948. O mundo de Monteiro Lobato ainda
povoa o imaginário de muitos brasileirinhos.
O Tico Tico foi ilustrado por
grandes artistas nacionais comoJ.Carlos, Ângelo
Agostini, Max Yantock, Alfredo e Oswaldo Storni, Luiz
Sá e aulo Afonso.
Os personagens criados, ou divulgados,
são inúmeros:

Chiquinho, Lili e o cachorro Jagunço
Chiquinho – baseado em Buster Brown,
criado por Richard Felton Outcault em 1902.
Buster tinha uma irmã Mary-Jane
e um cachorro Tigre.
Chiquinho tinha a personagem da Lili,
um cachorro chamado Jagunço e um amiguinho preto,
o Benjamim, muito mais arteiro que Chiquinho.

Litle Nemo – criado por Winsor
Mac Cay – um menino que vivia aventuras no mundo
dos sonhos e que, irremediavelmente, despertava no ultimo
quadrinho.

Reco Reco, Bolão e Azeitona –
criação de Luiz Sá.

Zé Macaco e Faustina – criação
de Alfredo Storni, casal carioca vivendo suas agruras:
marcados pela feiúra e idiotice mas se esforçavam
para aparentar boa educação, inteligência
e estar na moda.
Desde sua criação até
1957 foram publicados com a característica de
irem envelhecendo e Zé Macaco tornou-se careca
e barrigudo.

Kaximbawn – um granfino, metido
a intelectual e aventureiro, sempre com o seu inseparável
cachimbo.Com seu criado, Pipoca, fazia viagens de aventuras
e descobertas por lugares míticos como Pandegolândia.

A negrinha Lamparina
Jujuba, seu pai Carrapicho e negrinha
Lamparina Manduca (As mentiras do...)
Barão de Rapapé
Brocoió (Popeye) – criado
por Elzie Crisler Segar.
Chico Preguiça
Faísca-papagaio
Fumaça-negrinha
Gato Felix – criado por Pat Sullivan
O Ratinho (Mickey Mouse) – criação
de Walt Disney.
Pandareco
Pinga-fogo – detetive
Tony Malasorte (o palhaço)
Gato Maluco (Krazy Kat) – criado
por George Herriman

Hoje, com a internete, voltamos a ter
revistas menos genéricas:dirigidas a um público
específico, sem serem revistas temáticas,
como as que proliferam nas bancas de jornais.Voltamos
ao periódico para um grupo produtor de uma opinião
pública, voltamos quase ao inicio da função
jornalística.
Estas novas publicações,
virtuais, se propõe mais artesanais, mais intimistas,
e com uma interatividade editores-leitores, até
então só possível na rádio.
A ilustração volta a ter
uma importância que a fotografia, das agencias
de notícias, lhe haviam retirado.Na mídia
internética, com a fotografia digital e com o
webdesenhista voltamos a ter uma publicação
muito mais personalizada.O ressurgimento do repórter
de rua, afastado pelas mesmas agencias de notícias,
é outro ganho na recuperação de
identidade das publicações.
Artista plástico, ilustrador da
mídia, é um personagem que volta a ter
um espaço importante.
Nossos Leandro Avelino, Flora Soleto
e Massanobu Endo muito bem representam este novo velho
parceiro da palavra publicada.
Voltamos a ter a figura do ilustrador
midiático tão íntimo do publicado
e do público como o era nas décadas de
vinte e trinta do século XX.
Gilson Nazareth
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