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Ano 6 - Número 32 Agosto / Setembro de 2008 AGORA BASTA

Já tiramos todas as cartas da manga, agora
basta!

O "Efeito Colômbia"Além de um golpe devastador contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), a operação militar que resultou na libertação de 15 reféns da narco-guerrilha, entre eles a ex-senadora Ingrid Betancourt, representa uma etapa crucial da reafirmação do Estado nacional colombiano, cuja relevância transcende as fronteiras do país e poderá ser determinante para a reconstrução e consolidação da América do Sul como uma região comprometida com o progresso e o bem comum. De início, é preciso afastar qualquer interpretação de que o feito teria sido um triunfo da "guerra ao terror" dirigida por Washington, mesmo reconhecendo a importância do apoio dos EUA aos esforços de Bogotá contra a narcoguerrilha e o narcotráfico – apoio sistematicamente negado pelos governos vizinhos. Além de corroborar o acerto da estratégia de confrontação do presidente Álvaro Uribe, a sucessão de golpes sofridos pelas FARC nos últimos meses confirma, igualmente, o "atestado de óbito" do Foro de São Paulo e suas redes motivadas por um ímpeto "revolucionário" já descartado até mesmo pelo seu fiel aliado, o presidente venezuelano Hugo Chávez. Ademais, o sucesso colombiano no desmantelamento de uma narcoguerrilha que até há pouco parecia invencível pode assinalar o início do fim de uma campanha sistemática de debilitação das Forças Armadas ibero-americanas – encetada desde o final da década de 1980 por uma exótica aliança de interesses ligados ao Establishment anglo-americano e as redes do Foro de São Paulo, sob pretextos como violações de direitos humanos, submissão ao poder civil e outros. O exemplo colombiano mostra, de forma definitiva, que as F.As. constituem instituições basilares para a integridade e prosperidade dos Estados nacionais da região, como ressaltou a própria Ingrid ao ser libertada: "A ação mostra que podemos ter paz se confiarmos nas nossas Forças Armadas." Quanto aos reféns das FARC até agora libertados, todos deixam testemunhos de que a grande força da Colômbia são a sua cidadania, instituições permanentes e a fé cristã que motivou a resistência dos cativos por tantos anos – a qual constitui um poderoso elemento de coesão social. A debilitação da narcoguerrilha pode abrir caminho para a sua desmobilização e a pacificação do país. Com isto, poderá encerrar-se um ciclo histórico de violência iniciado no limiar da Guerra Fria, com o assassinato do líder político Jorge Eliécer Gaitán, em 1948, que deu origem ao sangrento "Bogotazo" e a seis décadas de violência. Espera-se, assim, que se possa iniciar a reconstrução de uma das nações de maiores potenciais de desenvolvimento da Ibero-América, cujos desdobramentos serão cruciais para a integração e o progresso compartilhado de toda a região. Geraldo Luís Lino Diretor do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa) http://www.msia.org.br
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