João do Rio - Revista Internética

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A voz anônima das ruas

Ano 8 - Edição número 44
Agosto / Setembro de 2010


Diretores: Gilson Nazareth
              Márcio Salgado


Programação Visual: Massanobu Endo

Equipe: Benedita Azevedo
           Joana D'arc






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Colaboradores:
Diorindo Lopes
Domi Chirongo
Geraldo Lino
Luiz Antonio de Almeida
Rita Maria Felix da Silva
Selma Wandersman
Sérgio Bernardo
Toni Marins

 

 

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Ano 7 - Número 41
Fevereiro / Março de 2010

"Povos ressurgidos",
nova forma de fabricar índios

Surgiu na praça uma nova categoria de indígenas, contendo todos os ingredientes para causar grandes dores de cabeça às autoridades e produtores: são os "povos ressurgidos". O alerta foi dado pelo apresentador de TV e pesquisador Inácio Régis, a partir das investigações que fez sobre a Gleba Nova Olinda, no Pará, onde algumas comunidades que lá habitam aguardam o veredicto da Fundação Nacional do Índio (Funai) sobre se a área seria ou não terra indígena. Segundo o administrador regional do órgão em Itaituba, Jaime Santos, a Funai fez um estudo na região e está considerando os indígenas de Santarém como "povos ressurgidos", admitindo que a gleba Nova Olinda, atualmente, é o maior problema administrado pelo órgão (O Liberal, 16/11/2009).

Três das 14 comunidades da gleba Nova Olinda – Novo Lugar, Cachoeira do Maró e São José III –, formada por ribeirinhos da região do rio Arapiuns, afirmam que são descendentes dos índios borari e têm como bandeira a regularização de toda a gleba como terra indígena. O líder do movimento é Odair José Sousa Alves, mais conhecido como cacique Odair Borari.

Entretanto, Régis colheu os relatos por escrito dos mais antigos moradores da região, como os irmãos Saturnina e Graciano Martinho, bisnetos dos primeiros habitantes da Gleba Nova Olinda, que afirmam que a colonização no local foi feita por pessoas de origens diversas: paraenses, cearenses, maranhenses, riograndenses e até paraguaios e colombianos.

Mais contundente foi o depoimento de Basílio Matos dos Santos, tio que desempenhou a função de pai de Odair Borari, ao afirmar que o "cacique" não passa de um farsante. "Eu sou tio do Odair, eu ajudei a criar esse menino desde que o pai dele morreu. O bisavô dele era rio-grandense, meu pai, avô de Odair, morava em Belém, nós nunca tivemos índio na família. Aqui no Maró, a gente se conhece uns aos outros e nunca teve índio nessa gleba, como concordar com uma mentira dessas?", disse ele.

Interessante é o fato de que Basílio reclamou dos ditos índios, por estarem impedindo a chegada do desenvolvimento às outras comunidades: "Por onde vamos tirar nossa produção se no verão tem uma cachoeira que não passa barco? Por onde vai chegar a energia Luz Para Todos? Pelo ar? O Odair eu ajudei a criar e, agora, esse moleque vem dizer que é cacique de índios que nunca existiu em nossa região e, muito menos em nossa família."

Régis montou a árvore genealógica de Odair Borari e descobriu que ele não tem nenhum parente indígena em seu passado: "Conforme fartos relatos de antigos habitantes da Gleba, concedidos por escrito a mim, nem Odair, nem os membros que compõe as comunidades que, por indução, se autodeclararam índios, detém descendência étnica dos primitivos habitantes que habitaram a região."

Segundo Régis, o "cacique" Odair Borari assumiu a nova identidade depois que antropólogos da Funai, o frei Florêncio Vaz, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santarém (STTR) e integrantes do Greenpe-ace apareceram na região. Para o pesquisador, quem está por trás da farsa é o Gre-enpeace, com o objetivo de engessar a área do entorno da rodovia BR-163, cujo asfaltamento integral é uma antiga aspiração das populações locais.

Nilder Costa





































































 
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